Resenha: Memória de Minhas Putas Tristes (Gabriel Garcia Marquez)
Por Érika dos Anjos
É difícil pensar em dizer algo menos que excelente para uma obra de Gabriel Garcia Marquez. E Memórias da minhas putas tristes está a um passo de ser um livro ruim. Pois, é uma leitura de difícil entendimento, de uma amplitude sentimental que quase enlouquece. Tanto que, ao fechar o livro após a última página, foram horas pensando, pensando e tentando chegar a um pouco do que a genialidade de Gabo chegou.
Em um primeiro momento, pensamos naqueles velhos tarados que ficam na praça jogando dominó e quando uma mulher passar ficam babando e chamando de gostosa. Mas, depois, percebe-se a delicadeza de amar o que é belo e intocado em qualquer idade, em qualquer momento da vida, seja com 90 anos, seja com a ingenuidade dos 9.
A forma cru como Gabo cita algumas mulheres e algumas passagens da vida do velho jornalista é deliciosa de se ler. O homem tem o dom de conseguir demonstrar frieza e languidez sem cair no vulgar. Em certos momentos, teme-se ser ruim sentir uma ponta der orgulho ou até mesmo um apreço especial por aquele homem que era mais um grosso metido a machão na multidão.
Enfim, é um livro com a complexidade que se espera de Gabriel Garcia Marquez e que retrata de onde vem esse eu que todos temos e, às vezes, queremos esquecer.
Ficha técnica:
- Livro: Memória de Minhas Putas Tristes
- Autor: Gabriel Garcia Marquez
- Editora: Record
- Nº de páginas: 132
- ISBN: 8501072656
- Sinopse: Primeira obra de ficção de Gabriel Garcia Márquez em dez anos, Memória de Minhas Putas Tristes é uma jóia narrativa. Um conto de fadas: sentimental, implacável, sábio e irônico. Lançado mundialmente em espanhol no final de 2004, o romance já ultrapassa um milhão de exemplares vendidos e chega ao Brasil com a tradução de Eric Nepomuceno – vencedor do Jabuti 2004 pela tradução de Viver para Contar. Ao revelar a história de um velho jornalista que decide comemorar sus noventa anos com uma noite de amor com uma jovem virgem, Garcia Márquez constrói um hino de louvor à vida e, por extensão, ao amor, já que um não existe sem o outro no imaginário do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.
Postado: August 3rd, 2009 em Literatura Internacional
por Érika dos Anjos.
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