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Resenha: Memória de Minhas Putas Tristes (Gabriel Garcia Marquez)

Por Érika dos Anjos

É difícil pensar em dizer algo menos que excelente para uma obra de Gabriel Garcia Marquez. E Memórias da minhas putas tristes está a um passo de ser um livro ruim. Pois, é uma leitura de difícil entendimento, de uma amplitude sentimental que quase enlouquece. Tanto que, ao fechar o livro após a última página, foram horas pensando, pensando e tentando chegar a um pouco do que a genialidade de Gabo chegou.

Em um primeiro momento, pensamos naqueles velhos tarados que ficam na praça jogando dominó e quando uma mulher passar ficam babando e chamando de gostosa. Mas, depois, percebe-se a delicadeza de amar o que é belo e intocado em qualquer idade, em qualquer momento da vida, seja com 90 anos, seja com a ingenuidade dos 9.

A forma cru como Gabo cita algumas mulheres e algumas passagens da vida do velho jornalista é deliciosa de se ler. O homem tem o dom de conseguir demonstrar frieza e languidez sem cair no vulgar. Em certos momentos, teme-se ser ruim sentir uma ponta der orgulho ou até mesmo um apreço especial por aquele homem que era mais um grosso metido a machão na multidão.

Enfim, é um livro com a complexidade que se espera de Gabriel Garcia Marquez e que retrata de onde vem esse eu que todos temos e, às vezes, queremos esquecer.

Ficha técnica:

  • Livro: Memória de Minhas Putas Tristes
  • Autor: Gabriel Garcia Marquez
  • Editora: Record
  • Nº de páginas: 132
  • ISBN: 8501072656
  • Sinopse: Primeira obra de ficção de Gabriel Garcia Márquez em dez anos, Memória de Minhas Putas Tristes é uma jóia narrativa. Um conto de fadas: sentimental, implacável, sábio e irônico. Lançado mundialmente em espanhol no final de 2004, o romance já ultrapassa um milhão de exemplares vendidos e chega ao Brasil com a tradução de Eric Nepomuceno – vencedor do Jabuti 2004 pela tradução de Viver para Contar. Ao revelar a história de um velho jornalista que decide comemorar sus noventa anos com uma noite de amor com uma jovem virgem, Garcia Márquez constrói um hino de louvor à vida e, por extensão, ao amor, já que um não existe sem o outro no imaginário do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.

Diário de um pai atrapalhado – Hora do soninho

Estou de volta depois de um longo período de ausência. Problemas diversos me impediram de continuar escrevendo. Hoje falerei pelo momento mais esperado no dia dos casais que têm filhos: a hora do sono.

Você gosta de dormir? É daqueles que precisa de silêncio e escuridão total para ter um sono completo? Muitas horas? É, amigo leitor, se você respondeu sim a pelo menos uma destas perguntas, e está esperando um bebê, infelizmente só posso dizer uma coisa: aproveite agora. Porque depois nunca mais. Pelo menos não no primeiro ano…

A vida dos pais de um bebê pode ser dividida em duas partes:

  • Quando ele não deixa você dormir;
  • E quando você não consegue fazê-lo dormir.

Bebê recém nascido

Essa é a melhor fase para o pai. Afinal, embora o pimpolho acorde a cada três horas para alimentar-se nos sagrados seios da mãe, isso é uma tarefa única e exclusiva dela. No máximo, a figura paterna faz figuração mesmo. No máximo pega o bebê no berço, coloca de volta, troca fraldas, acende luz, apaga luz, pega cobertor etc.

Se o bebê toma mamadeira, o pai pode ser mais participativo. Pode além das tarefas normais, dar o apoio moral, pode preparar o leite e oferecer para a criança. É bem fácil (leia o post  “Preparando a mamadeira“).

A grande dica para ser feliz nesse período é abstrair da vontade de dormir. Você sobrevive com apenas quatro horas de sono. E, se por motivos diversos, da fome à cólica (nessa idade eles ainda não fazem manha), você sempre poderá dormir no trabalho (se for motorista, piloto de avião ou coisa parecida esqueça essa dica) e restaurar suas forças para a próxima noite.

Dos quase um ano aos dois

É. É aqui que a jiripóca começa a piar. Claro que você ainda não tem um sono full night. Afinal ele ainda acorda, chora, esperneia, tem fome e sente dor. Mas o foco do problema nessa idade deixa de ser a criança acordar. O desesperador é ela não querer dormir.

Você vai descobrir que sua vida (conjugal, gastronômica etc.) se dará nos breves intervalos de tempo que ele está dormindo.  É a “hora do soninho”. Ela pode durar mais de uma hora, geralmente dura menos, sempre menos do que você precisa.

Todavia, são nestes breves momentos que o casal vai aproveitar para fazer a higiene pessoal, da casa,  fazer comida, assistir TV, videogame, praticar para no futuro dar um irmão para o bebê etc. Pode ter certeza absoluta de uma coisa: depois de muito sacrifício para fazer a criança dormir, ela vai acordar no exato momento em que o casal está no meio da atividade (se ela for prazeirosa então….). Fora as vezes que você lava a louça, mas na hora que se prepara para tomar sorvete, ele acorda. Acontece mais do que parece.

Visão literal do inferno é o dia que o pimpolho não dorme nos horários certos durante o dia. E apaga na hora exata das refeições.  Como dormiu na hora da refeição, não dorme à noite porque e está enjoado e com fome. Nesse momento o casal atinge o clímax… do estresse, é claro. Afinal eles não fizeram nada durante o dia, porque no único momento que a criança dormiu com certeza estavam preparando as refeições dele. Que obviamente foi para o lixo.

O que fazer?

Bem, fez aguenta né? Jogar para os parentes tomarem conta é para os fracos e folgados. Brincadeira! Nessa hora, as avós são bastante úteis. O casal também descobrirá utilidade para as respectivas sogras.  Nada substiui os pais durante a madrugada, mas durante o dia nada melhor do que algumas horas fazendo bagunça na casa da vovó. Titias também servem.

No mais não se desespere. Nada será pior que a adolescência…

Resenhas: O guia do mochileiro das galáxias (Douglas Adams), A hora da estrela (Clarice Lispector) e Assassinato na Academia Brasileira de Letras (Jô Soares)

Por Érika dos Anjos

Grande parte das resenhas que coloco aqui é de livros que gostei ou que tenham algo interessante a ser dito. Porém, existem alguns de onde não consigo extrair nada, nem mesmo falar mal sobre ele. Então, resolvi colocar três deles juntinhos em um post. Pode ser que eu esteja errada, o que é bem provável, mas nessas três obras quase nada me chamou atenção e não consegui desenvolver as ideias. Alguém concorda? Discorda?

O guia do mochileiro das galáxias (Douglas Adams)

Acho que sou uma das poucas pessoas que não gostou do livro. Achei muito chato, sem continuação ou uma idéia a ser seguida. Além disso, as poucas piadas com graça pareciam fora do contexto. Foi uma das poucas vezes em que quis me desfazer do livro. Acabei dando para meu cunhado, que adora o Monthy Python. Para mim, foi bem fraco!

Ficha técnica:

  • Livro: O guia do mochileiro das galáxias
  • Autor: Douglas Adams
  • Editora: Sextante
  • Nº de páginas: 208
  • ISBN: 9788575421048
  • Sinopse: Arthur Dent tem sua casa e seu planeta (sim, a Terra) destruídos em um mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse. Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, este livro vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado. Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da “alta cultura” e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.

 

A hora da estrela (Clarice Lispector)

Infelizmente, mesmo conhecendo a genialidade de Clarice por outros livros, A hora da estela não conseguiu nem mesmo me entreter. Achei a história da Macabéa chata e sem vida, sem o brilho que estamos acostumados a ver nos textos da autora.

Ficha técnica:

  • Livro: A hora da estrela
  • Autor: Clarice Lispector
  • Editora: Rocco
  • Nº de páginas: 120
  • ISBN: 9788532521279_
  • Sinopse: Obra de despedida de Clarice Lispector, A hora da estrela foi lançada pouco antes da morte da escritora, em 1977. A hora da estrela tem uma trama dupla. É, por um lado, o relato da vida triste e sem perspectiva da alagoana Macabéa, que pontua sua vida de solitário e silencioso desespero com as informações do Você sabia? da rádio Relógio, sinistro metrônomo a comandar o ritmo inútil de seus últimos dias de vida. Para a cartomante Carlota, a quem Macabéa procura em busca de um sopro de esperança, esses dias derradeiros deveriam ser coroados com o casamento com um estrangeiro rico. Mas, em sinistra ironia, Macabéa termina sob as rodas de um automóvel de luxo Mercedes-Benz. Por outro lado, A hora da estrela estabelece uma reflexão sobre a escrita e sobre a morte da própria escritora, por intermédio do alter-ego de Clarice, o escritor Rodrigo, que se sabia condenado por uma doença terminal. Desta forma, dois níveis de existência se fundem e dialogam entre si – a vida estéril da personagem incapacitada pela pobreza e as condições sociais, e a vida fértil do escritor, mestre do destino de seus personagens, mas tão vítima quanto eles diante do Destino maior e inexorável.

 

Assassinato na Academia Brasileira de Letras (Jô Soares)

Dos três livros já publicados por Jô Soares, sem dúvida, esse é o mais fraco. Pois, antes da 50ª página, a história já se tornou maçante e repetitiva, além dos acontecimentos estarem cada vez mais óbvios.
A favor do autor, temos a boa pesquisa sobre os costumes e tradições dos beneméritos da Academia Brasileira de Letras, que enriquecem o texto. No entanto, infelizmente, a história se perde e a leitura fica sem graça. Não é assim  que ele vai entrar para ABL.

Ficha técnica:

  • Livro: assassinato na Academia Brasileira de Letras
  • Autor: Jô Soares
  • Editora: Companhia das Letras
  • Nº de páginas 256
  • ISBN: 85359061773
  • Sinopse: A princípio aquilo parecia um paradoxo ou uma brincadeira de mau gosto: durante seu discurso de posse, o senador Belizário Bezerra, o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras, caiu fulminado no salão do Petit Trianon. A morte de outro confrade, em circunstâncias semelhantes – súbita, sem sangue e sem violência aparente – trouxe uma tensão inusitada para a tradicionalmente plácida casa de Machado de Assis; um serial killer literário parecia solto pelo pacato Rio de Janeiro de 1924, e não estava pra brincadeira. Queria ver mortos todos os imortais. Os “Crimes do Penacho”, como a imprensa marrom apelidou a série de assassinatos, despertaram a curiosidade do comissário Machado Machado, um tipo comum na paisagem carioca não fosse o indefectível chapéu-palheta, a pinta de sedutor irresistível e a obstinação em provar que aquelas mortes jamais poderiam ser coincidências. Em sua investigação, que serpenteia entre um chope e outro no Café Lamas, reduto dos intelectuais e jornalistas, uma visita ao teatro São José (mais precisamente ao camarim da deslumbrante Monique Margot, a estrela da peça “Alô… Quem Fala?”), uma passada no cemitério São João Batista e outra na Lapa, Machado Machado se vê às voltas com uma fauna exótica e muito particular. Os suspeitos estão em toda parte: políticos, jornalistas, religiosos, nobres falidos, embaixadores, crupiês, poetas maiores e menores, homens de letras, magnatas da imprensa, quase todos com um pendor inescapável para o assanhamento e a malandragem. “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras” combina o sabor da prosa de Jô Soares a uma pesquisa histórica que reconstitui nos mais ricos detalhes um Rio de Janeiro que até agora não estava nos livros: parecia estar apenas na memória de quem o viveu. Como quem não quer nada, Jô mistura erudição e humor, texto e imagens, suspense e comédia de costumes – fórmula secreta que, na mão dos grandes autores, garante a marca da melhor literatura.

Resenha: Noah (Jacquelyn Frank)

Por Érika dos Anjos

A autora Jacquelyn Frank conquistou muitas fãs com a saga dos Nightwalkers (que vc pode encontrar aqui) e lançou em junho o pseudo-último livro da série: Noah.

 

Todo mundo que acompanha a saga dos Nightwalkers da Jacquelyn Frank tem uma quedinha pelo Noah. Afinal, o rei dos demônios sempre está presente em todas as lutas, tomando decisões e definindo o futuro destes seres encantadores. E, sabendo disso, a autora deixou para falar dele por último (será mesmo???) e não se fez de rogada! Mrs. Frank criou para Noah uma intrínseca trama que vai da mudança de tempo/espaço a brigas entre amigos seculares.
Sentindo-se meio deslocado, após sua irmã (Magdalena) ter encontrado sua alma gêmea no médico Gideon (ai ai); seu melhor amigo Jacob, o defensor, ter achado a marca na druidesa Isabela; seu chefe guerreiro (Elijah) estar casado com a rainha dos licantropos (Sienna); e até mesmo o taciturno Damien ter se redescoberto ao lado de Syrenna, Noah tem tido sonhos estranhos com uma linda e loira mulher que não consegue ver o rosto. Durante seis meses, o rei dos demônios lida com a situação de tentar, em vão, ver o rosto daquela que sabia estar destinada para ele. Porém, no dia em que acredita ter tido um maior contato com ela, Noah percebe que ela se foi.
Desesperado por ter perdido sua metade da laranja, ele pensa nos poderes da pequena filha de Jacob e Isabela, Leah, a demônio do tempo. Em um ato impensado, com a ajuda da tia da menina, ele usa os poderes da criança para voltar no tempo e salvar sua amada, que ele descobre se chamar Kestra. Mesmo tendo tido êxito em salvar a mulher, Noah enfrenta outros problemas sérios, como quase ter matado a irmã com sua força descomunal e a ira de Isabela por ele ter usado o poder ainda desconhecido de sua filha.
Mesmo com tudo contra ele, Noah consegue manter-se com a postura digna de um rei e tenta contornar todas as situações com inteligência e lucidez. Porém, logo ele percebe que o maior problema da sua vida é convencer Kestra de que ele fala a verdade e, principalmente, fazê-la acreditar novamente nos homens, já que ela sofreu um trauma gigantesco quando tinha apenas 17 anos. Além disso, há algo que ela nunca vai poder dar ao rei dos demônios: um filho!

Com toda delicadeza, Jacquelyn Frank desenrola várias nuances do reino dos nightwalkers, mas, ao mesmo tempo, cria outros problemas que serão difíceis de lidar, como o ataque ao castelo de Damien, o príncipe dos vampiros, e o ’sumiço’ temporário da malvada Ruth, que prometeu se vingar de todos que se puseram no seu caminho e foram responsáveis pela morte de sua filha. Por isso, acredito eu, e muitas outras leitoras da saga, que ainda haverá outro (ou outros) livros da série. Afinal, ainda há muitas pontas soltas e coisas a serem resolvidas. Resta desconfiar quem será o protagonista do novo livro. Voto na maleta da Jasmine. Será????

PS.: Adorei a parte em que o Damien e a Syrenna estão tentando de todas as formas fazer um filho. Chega a ser engraçada a ‘desenvoltura’ deles para conceber o herdeiro! Outra parte que amei, foi a história dos pais do Noah. Muito fofo!

Ficha técnica:

  • Livro: Noah
  • Autor: Jacquelyn Frank
  • Editora: Nova Cultural
  • Nº de páginas: 221
  • ISBN: 01042653
  • Sinopse: Desde o início dos tempos existem os nightwalkers – seres noturnos que vivem nas sombras, dotados de poderes que poucos humanos podem compreender. Para Noah, o dever está acima de tudo…até ele conhecer a mulher que é seu destino… Como rei dos demônios, Noah se dedica a proteger seu povo dos inimigos. Há seis meses, no entanto, ele vem lutando contra sonhos vívidos que ameaçam sua sanidade mental. Todas as noites ele é atormentado por imagens de uma mulher deslumbrante, porém fora do seu alcance. E seu desejo não lhe deixa escolha senão forçá-lo a abandonar a vida que conhece e adentrar um mundo além da imaginação… Instintivamente, Kestra sabe que o homem sensual e imponente diante dela representa um perigo maior do que todos que ela já enfrentou. Ela jurou nunca mais confiar em homem algum, mas Noah desperta nela um desejo irresistível, cegando-a para uma terrível verdade…Pois enfronhado no meio deles esconde-se um inimigo mortal, que ameaça a segurança de ambos e aquele amor recém-descoberto…

Resenha: A revolução dos Beatles (Roberto Muggiati)

Por Érika dos Anjos

No dia mundial do rock (hoje, 13 de julho) O Quarto Elemento faz questão de comemorar a data com a resenha de um livro sobre uma das bandas que mais influenciaram os roqueiros de todo o mundo: The Beatles!

Certamente, é complicado escrever sobre uma das maiores, senão a maior, bandas de todos os tempos. Principalmente, quando se fala sobre o motivo do término do genial grupo de Liverpool.
Neste livro, Roberto Muggiati vai muito bem quando começa a escrever sobre o início da banda, como os integrantes se ‘encontraram’, como cada um ‘escolheu’ seus instrumentos ou foi escolhido por ele. Como o livro é dividido em capítulos anuais, os primeiros anos são bem explicados, com ênfase na forma como as músicas eram feitas e na democracia que dominava o grupo. Apesar da forma de escrever ser um tanto fria para o assunto, o autor consegue informar bem o leitor sobre aquele período.
Porém, quando o caldo começa a entornar, a situação se transforma. O autor parece não querer atacar ninguém, ser bonzinho com todo mundo e acaba ficando tão em cima do muro que deixa de priorizar o leitor para agradar ao editor ou aos responsáveis pela liberação do livro. É claro que cada um tem que ter sua opinião e nenhuma é mais certa do que a outra, mas Muggiati peca por não conseguir expressar uma ideia clara sobre os estudos e pesquisas que precisou fazer para o livro, tornando o relato desinteressante, monótono e pouco explícito.
Mesmo com esses problemas de moderação extrema, o autor conseguiu ‘pescar’ algumas situações e citações dos integrantes do grupo bem legais, como a paixão de George por automobilismo, em especial pelo brasileiro Airton Senna; o autoritarismo de Paul para com os técnicos e até mesmo com os outros do grupo; a saúde precária de Ringo e até mesmo sua ‘utilidade’ dentro dos Beatles; e, como não poderia deixar de ser, as diversas facetas da personalidade de John Lennon.
Enfim, o livro não pode ser considerado uma ‘bíblia’ definitiva sobre o quarteto de Liverpool, mas não compromete. Agora, se vc já é um fã ardoroso dos Beatles, não precisa perder seu tempo, não há nada lá que vc já não esteja careca de saber!

Ficha técnica:

  • Livro: A revolução dos Beatles – 1969, a véspera do fim
  • Autor: Roberto Muggiati
  • Editora: Ediouro
  • Nº de páginas: 167
  • ISBN: 8500004258
  • Sinopse: “A idéia de um get back – uma volta às raízes – partiu de Paul, no começo de janeiro. As feridas das gravações do Álbum Branco ainda não haviam cicatrizado. Paul pensou que os Beatles só ficaram unidos quando tocavam e cantavam para um público participante. Surgiu daí o prejeto de um especial de televisão que seria gravado durante um concerto ao vivo, em algum lugar exótico. Pensou-se num moinho abandonado às margens do Tâmisa, num palco montado no meio do Saara ou a bordo de um navio no meio do Atlântico. Por algum tempo, cogitou-se de um anfiteatro romano na Tunísia, iniciando o show ao amanhecer com uma platéia vazia e terminando com a arena cheia de pessoas de todos os credos, cores e raças. John, com sua ironia característica, sugeriu que fizessem o concerto num asilo de loucos. E, num dia particularmente negro, perguntou por que não desfaziam o grupo e iam todos para casa”

Resenha: A modelo e o guarda-costas (Merline Lovelace)

Por Érika dos Anjos

Fazendo parte da saga da família Fortune, A modelo e o guarda-costas peca por deixar muitas coisas em aberto, principalmente no final, quando não se sabe ao certo quem é que perseguia Allie Fortune. No entanto, vale a pena pela delicadeza com que a autora consegue mostrar os traumas que Rafe Stone tem devido a suas diversas cicatrizes, fruto de seu trabalho como agente da polícia.
Rafe é contratado pelo pai de Allie para protegê-la enquanto ela faz um trabalho que será de vital importância para a Cosméticos Fortune. E, bem diferente do que ele imaginava, Allie é uma mulher forte, decidida e acima de tudo uma profissional, já que Rafe passa a conhecer o difícil trabalho de uma modelo que leva a profissão a sério. Ao mesmo tempo, eles percebem que a atração que sentem um pelo outro pode acabar atrapalhando o intento dele, pois pode ficar mais desatento exatamente no momento em que as ameaças a moça estão se intensificando, mesmo eles estando no Novo México.
Porém, quando eles percebem que ficará cada vez mais difícil resistir ao que estão sentindo, se entregam a paixão e Rafe passa a ficar quase ‘obcecado’ pela mulher que tem que proteger. No entanto, ele tem medo que suas marcas façam com que ela desista dele, como aconteceu com sua ex-mulher, principalmente, porque Allie é um verdadeiro modelo de beleza.
As melhores partes do livro são quando Rafe começa a colocar apelidos nos ‘homens’ da vida de Allie. Suas tiradas são hilárias quando fala do Zebra, do Charuto, do Viking, entre outros. Rendeu algumas boas risadas!

Ficha técnica:

  • Livro: A modelo e o guarda-costas
  • Autor: Merline Lovelace
  • Editora: Harlequin
  • Nº de páginas: 218
  • ISBN: 8576870827
  • Sinopse: Ao ser ameaçada por um fã maníaco e desconhecido, a modelo Allison Fortune passa a contar com a proteção de Rafe Stone, um ex-mercenário contratado para ser seu guarda-costas. Enquanto protege a bela, Rafe percebe que o maior perigo é justamente Allison. Sua beleza estonteante e seu jeito sedutor são capazes de derrubar qualquer um, até mesmo um homem acostumado a lidar com grandes adversidades. Rafe começa a sentir seu autocontrole ameaçado… Mas será que Allison permitirá que ele resista até o fim do contrato?

Resenha: Corações Indômitos (Ruth Langan)

Por Érika dos Anjos

Quando se fala em Ruth Langan, já se espera um livro de bom nível. E Coração indômitos não foge à regra. Neste livro, a autora consegue criar um clima bem rústico à pacata cidadezinha de Misery (nome bem a calhar) e tratou de forma muito delicada a ‘ignorância’ sexual da protagonista.
Kitty Conover passou por maus bocados na infância. A mãe saiu de casa com 3 filhos em busca do marido, mas, durante a viagem, morreu deixando as três crianças sozinhas. Até que eles se deparam com o velho Aaron, que apesar de não ter quase nada para ele, divide com aqueles três pequenos órfãos. E assim, cresce Kitty, cercada pela natureza e pelos animais, tendo se especializado em domesticar cavalos selvagens.
Em uma de suas caçadas, ela conhece o misterioso Bo Chandler, que estava à beira da morte após ter sido atacado. Ela cuida dele e o leva para casa. Lá, mesmo com toda a pobreza que os cerca, ele descobre um clima familiar que há muito não tinha e mesmo após ficar bom, continua por lá, consertando as coisas, cozinhando e se apaixonando pela jovialidade e pela inocência de Kitty. Mas, até quando ele iria conseguir refrear seus desejos???

O livro é gostoso de ler e bem delicado, mesmo sem ter cenas hots, a autora consegue transmitir o desejo desenfreado que um sente pelo outro. Ela sem entender direito o que era aquela ’sensação de fogo no corpo’, e ele se culpando por querer alucinadamente aquela jovem casta. Esse dilema acompanha os dois durante grande parte do livro.
Uma cena muito boa é quando Kitty, do alto de sua ignorância sexual, pergunta se o que um homem e uma mulher fazem é igual ao acasalamento que ela vê entre os cavalos e éguas! Outra parte lindinha é quando Bo explica para ela a diferença entre sexo e fazer amor! Recomendo!

PS.: Durante todo o livro me incomodou o nome do protagonista ser Bo. É muito estranho. Foi o principal motivo para eu não ter dado quatro estrelas, pois Bo, não rola!

Ficha técnica:

  • Livro: Corações Indômitos
  • Autora: Ruth Langan
  • Editora: Nova Cultural
  • Nº de páginas: 219
  • ISBN: -
  • Sinopse: Seu jovem coração era tão indômito quanto a terra onde ela vivia e os cavalos que perseguia! Kitty Conover era uma jovem bem diferente das que moravam em Misery. Sempre vestida com trajes masculinos de pele de gamo e com os cabelos loiros e encaracolados presos sob um chapéu de aba larga, ela era conhecida por sua tenacidade em perseguir, por semanas a fio, os rastros de cavalos selvagens. Dormia tão bem ao relento, sob as estrelas, quanto no calor de uma cama. Distinguia as rochas pelo formato, conhecia os picos das montanhas um por um e cada curva das trilhas. Acima de tudo, ela aprendera a esperar o inesperado e a resolver qualquer contratempo. Mas Bo Chandler foi uma surpresa que pegou Kitty desprevenida. Depois de salvar a vida de Bo, ela começou a sentir os primeiros e inegáveis sintomas do verdadeiro amor. E não ficou nem um pouco satisfeita com isso! Ela entendia de cavalos, mas os homens eram uma espécie bem mais complicada. Kitty não estava disposta a confiar seu coração a um desconhecido que acendia nela faíscas mais eletrizantes do que os relâmpagos de uma tempestade de verão!

Resenha: Anjos e demônios (Livro e filme)

Por Érika dos Anjos

Quando li O Código Da Vinci, me perguntei centenas de vezes o motivo de tamanha festa em cima do livro. Pois, na minha opinião, apesar de ter uma boa história, tem uma escrita muitíssimo fraca. Pensei que nunca mais leria nada de Dan brown, porém, perto do lançamento do filme, resolvi me aventurar com Robert Langdom mais uma vez, mesmo esperando ser o mesmo fracasso do outro. No entanto, Anjos e demôminos me surpreendeu positivamente.
Apesar de ainda não ser um livro excelente ou que mereça tamanha devoção, é mais bem escrito do que o Código e possui uma história mais redonda, com menos furos do que a outra. E nisso tudo, o que mais me surpreende é que Anjos e demônios foi escrito antes do Código, o que pressume-se deveria ser a iniciação acabou se transformando em algo superior.
Nesta primeira empreitada de Robert Langdom, o autor procura esmiuçar demair o caráter e a genialidade do seu professor de Harvard, pecando no excesso de detalhes de sua vida acadêmica. Ao mesmo tempo, ele coloca em Vittoria Vetra características que a deixam beirando a ‘mulher perfeita’, receita que repetiria com a criptógrafa de Código. Os demais personagens são bem estereotipados: ‘o grande cientista’, ‘aquele dividido entre a ciência e a religião’, ‘o provável traíra’, ‘o louco que faz tudo’ etc.
Quanto a história em si, há algo de possível no início e até mesmo fácil de acontecer, pois a religião ainda é uma fonte riquíssima de questionamentos, porém, no desenrolar dos fatos, qualquer vestígio de possível verdade é jogado no ralo com cenas inacreditáveis e situações bizarras.
No frigir do ovos, o Vaticano acaba fortalecido e o autor deixa no ar aquela coisa de ‘é melhor que a humanidade continue acreditando em Deus’. Ao mesmo tempo, ele deixa na cabeça de algumas pessoas que adoram confundir realidade com ficção (vide o fenômeno do Código) a sensação de que Bento XVI pode cair com a língua negra a qualquer momento…

Ficha técnica:

  • Livro: Anjos e demônios
  • Autor: Dan Brown
  • Editora: Sextante
  • Nº de páginas: 465
  • ISBN: 8575421468
  • Sinopse: Antes de decifrar ´O Código Da Vinci´, Robert Langdon, o famoso professor de simbologia de Harvard, vive sua primeira aventura em Anjos e Demônios, quando tenta impedir que uma antiga sociedade secreta destrua a Cidade do Vaticano. Às vésperas do conclave que vai eleger o novo Papa, Langdon é chamado às pressas para analisar um misterioso símbolo marcado a fogo no peito de um físico assassinado em um grande centro de pesquisas na Suíça. Ele descobre indícios de algo inimaginável: a assinatura macabra no corpo da vítima – um ambigrama que pode ser lido tanto de cabeça para cima quanto de cabeça para baixo – é dos Illuminati, uma poderosa fraternidade considerada extinta há quatrocentos anos.

Anjos e demônios, o filme

Tendo me surpreendido positivamente com o livro, fui de coração aberto ver a segunda aventura de Robert Langdon nos cinemas. E só tenho uma coisa a dizer: sofrível! Sempre sou muita atenta às nuances necessárias para se transformar uma obra literária em roteiro de cinema e acredito que muitas vezes são importantes as grande mudanças. No entanto, o que foi feito com a história original do livro foi uma mutilação sem precedentes! Uma coisa abusrda!
Pode-se dizer, sem parecer exagero, que o filme foi levemente inspirado no livro, pois mais de 50% das situações foram modificadas e sumariamente descartadas. Há certas coisas que são quase impossível de se entender, começando pela mudança do nome dos personagens. Alguém pode me explicar porque Leonardo Vetra virou Salviano? Ou porque o carmelengo Carlo Ventresca se transformou em Patrick? Não há motivo!
Fora as mudanças dos nomes, objetivos e motivações também foram arruinadas, como a retirada do parentesco de Vittoria e Leonardo vetra; os ‘depósitos’ na conta do Hassasin (e sua morte, então???); a supressão de um dos personagens mais intrigantes e importantes da trama, Maximilian Kohler; e, até mesmo, o futuro papa! Onde já se viu!?!?!?!
Fora isso, o final que já era lunático no livro, no filme acabou sem nexo total, deixando muitas pontas soltas, que nem quem leu o livro consegue explicar. Porque fulano fez aquilo? Mas, sicrano não conseguiria fazer aquilo outro! São questinamentos recorrentes de quem acaba de assistar à película.
E o amis triste de tudo: nem as atuações de Tom Hanks e Ewan MacGregor salvam o filme. Até esses dois atores estão fora de sintonia! Muito triste.

Enfim, a emenda ficou pior do que o soneto. Nunca pensei que diria isso, mas o livro do Dan Brown é melhor do que o filme! E você, o que achou?


Resenha: O caminho do poço de lágrimas (André Vianco)

Por Érika dos Anjos

Não sei se estava muito sensível na época em que li este livro. O que tenho certeza, é de que chorei muito com o final, pois esta obra é daquelas em que você vai sendo cativando momento a momento pelos personagens, que em determinado momento você já sabe o que Jonas, Ingrid ou Bosco decidirão fazer exatamente pelo sentimento de conhecê-los. Com esta obra, André Vianco mostra seu lado mais sensitivo e místico com grandes doses de emoção.

Jonas, um homem muito trabalhador e com pouco tempo para a família, resolve levar os filhos para passear, a fim de recuperar um pouco do tempo perdido com eles. No entanto, em determinado momento da viagem, eles acordam em um campo verde, sem o carro, e com uma estrada de tijolos delineada a frente. A dúvida é: precisamos mesmo seguí-lo? No caminho, muitos acontecimentos misteriosos e fabulosos parecem não querer deixar que eles cheguem ao seu destino.

Um verdadeiro conto de fadas do século XXI, que te faz pensar muito após o seu término!

PS.: Apesar de ser um dos chamarizes do livro, não gostei dos desenhos. Não acrescentaram nadica a história.

Ficha técnica:

  • Livro: O caminho do poço de lágrimas
  • Autor: André Vianco
  • Editora: Novo Século
  • Nº de páginas: 208
  • ISBN: 9788576792024
  • Sinopse: Em seu 13º romance o escritor André Vianco aventura-se através de uma fábula gótica moderna. O Caminho do Poço das Lágrimas é um livro ilustrado, cheio de metáforas, que leva a reflexões acerca da morte, da maneira como levamos a vida nos dias de hoje. O Caminho do Poço das Lágrimas nasceu depois do autor ter se dedicado durante três anos às histórias de terror, envolvendo vampiros. Há algum tempo seus leitores vinham dizendo que estavam com saudades de livros como A Casa por isso, quando a idéia para essa fábula surgiu, ele não conseguiu fazer mais nada direito, até que finalmente a colocou no papel: “A idéia para escrever O Caminho do Poço das Lágrimas nasceu de uma história de ninar que eu inventei para as minhas filhas. Durante muito tempo essa história ficou remoendo em minha mente, ela se apoderou de mim de uma maneira que eu precisei parar tudo para dar vida a ela.”, explica André Vianco.

Resenha – Crepúsculo (Stephenie Meyer)

Por Leonardo Pereira

“Melhor livro da década segundo a Amazon.com. A série de Meyer fervilha com a atração das paixões proibidas somada ao tempero inebriante do sobrenatural (The New York Times).”

A editora do Crepúsculo utilizou grande parte da contracapa para exibir criticas exaltando a obra. Ler a afirmação da Amazon.com me perturba ao imaginar o quão ruins estão os livros dos dez últimos anos. Porque afirmar que Crepúsculo é o melhor livro da década é o fim.

“Paixões proibidas”, essa é de matar. Quem leu o livro, e tem mais de 12 anos de idade, faixa etária do público alvo desta história, percebe que não há nenhuma paixão proibida. Bella e o vampiro Edward se apaixonam e começam a namorar. Com a aprovação imediata dos pais dos dois. Isso para não falar da tensão sexual entre os dois personagens que resulta apenas em um selinho.

“Tempero inebriante do sobrenatural” , novamente: tempero inebriante, só mesmo para as criancinhas que ainda dormem de luz acessa. A construção dos personagens é bem fraca. Principalmente do protagonista. Podemos aceitar uma adolescente confusa e afetada. Mas um ser imortal que caminha na terra há 90 anos se comportando como um garotinho de 15 não da para admitir

A história segue arrastada até a segunda metade do livro, reservando a ação para os quatro últimos capítulos, isso mesmo, os quatro últimos. O resto é tomado por uma espécie de diário de menininha (pra piorar o livro é narrado em primeira pessoa). Aí vai um trecho para ilustrar o que estou dizendo:

As opções de vestidos não eram muitas, mas as duas acharam algumas coisas para experiementar. Fiquei sentada em uma cadeira baixa do lado de fora das cabines de prova,…

… Jess ficou dividida entre dois – um tomara que caia longo e preto bem básico e um azul elétrico na altura dos joelhos com alças finas. Eu a estimulei a ficar com o azul, por que não realçar seus olhos? Ângela escolheu um vestido rosa claro…

A história, primeira parte de uma quadrilogia, possui dois finais: um no último capítulo e outro no epílogo (nem vou comentar sobre este), que deixa um gancho de mistério. Afinal a autora quer que os leitores leiam a seqüência. Só que o mistério cai por terra, já que a  editora brasileira colocou o primeiro capítulo do Lua Nova como uma espécie de aperitivo.

Crepúsculo é mais um livro que entra para o hall dos best sellers, catapultado por criticas levianas. Como eu disse no início do post, não merece sequer ser incluído entre os melhores livros da história, muito menos ser taxado de livro da década. Expressão repetida a exaustão por todos que falam do livro.
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Embora com a primeira metade muita chata, talvez por eu não ser menina, Crepúsculo não deixa de ser interessante. Recomendo o livro nos seguintes casos:

- meninas e adolescentes (que vão achar o livro o máximo);

- Emos em geral (vão ter a mesma opinião das meninas);

- Para ler e relaxar entre dois livros mais elaborados, depois de A Sangue Frio, do Capote e O Outono do Patriarca, do Gabriel Garcia Márquez, por exemplo.

Crepúsculo foi lançado, no original, em 2005. Então a década dele compreende os anos entre 1995 e 2005. Para você qual é o melhor livro publicado neste período?

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