Resenha: Saga Crepúsculo
Por Érika dos Anjos
Depois de muito tempo, finalmente, li a saga Crepúsculo. Muitas pessoas me perguntaram o motivo, já que era horrível, coisa de adolescente, isso e aquilo. Respondia apenas que EU precisava ler para saber isso, que não adiantava malhar os livros sem conhecê-los de verdade. Os leitores deste blog sabem que eu só falo mal, ou bem, depois de ler. Então, a leitura da Saga Crepúsculo foi um exercício antropológico para mim.
No geral, dou nota 5 para a saga. Não é tão ruim quanto pintaram, nem tão bom quanto as ‘crespusculetes’ falam. É algo mediano, que chegou no momento em que havia a necessidade de suprir a lacuna que o fim dos livros da série Harry Potter deixou, com um pouco mais de açúcar do que o necessário na verdade.
Uma coisa que me incomodou realmente foi que a saga não é definida, está sempre limítrofe. Não é nem um livro de vampiros, longe disso, nem um romance normal. Certamente, alguém vai me dizer que eu rotulo tudo. E acho que é bem verdade, pois não vi um ponto-base na trama, seja no relacionamento entre Bella e Edward, seja no ‘universo’ vampírico. Acho que faltou uma graça a mais, um embasamento maior para criar uma identificação com os leitores que não buscavam única, apenas e exclusivamente o romance. Fora o final que é, no mínimo, no mínimo, decepcionante para qualquer pessoa que já tenha lido algo sobre seres imortais, como a profundidade das últimas cenas de Drácula, o fio de novelo com final das tramas de Anne Rice, a ação pungente em cada página dos livros do André Vianco… mas aí é outra história.
Bom, explicado isso. Segue minha opinião sobre cada um dos livros.
Crepúsculo:
A primeira parte do livro, quando Bella começa a se ‘explicar’, mostrar quem é, foi de uma chatice sem tamanho. Porém, quando ela começa a descobrir que são os Cullen e como vivem, passa a ficar mais bacana, mais curioso. Porém, contudo, no entanto, todavia, é um showwwwwww de adjetivos. Não consigo me lembrar de um livro que seja mais adjetivado do que esse. Parece que a autora pegou o dicionário e começou a passear pelos verbetes escolhendo pelo menos um 30 mil para descrever os olhos do Edward, o cabelo do Edward, o sorriso torto do Edward… ó Deus. Encheu. Mas, fora isso, a história tem pontos altos, como o diálogo entre eles quando Edward conta do que é capaz e os momentos em que ela ‘descobre’ cada um dos Cullen.
Lua Nova:
Na minha opinião, o melhor livro da série. Pois, sem a presença do Edward, a história melhorou muito, pois Bella não se fixou tanto nas maravilhas geradas por ele e pode ser um pouquinho menos chata. Além disso, o crescimento de Jacob, suas brincadeiras e seu jeito descontraído são ótimos, pois ele tem uma inconsequência bem interessante. Fora isso, as cenas da Itália são boas, inclusive conseguindo causar alguma tensão. Me surpreendeu.
Eclipse:
Há muito tempo não via um livro tão, mas tão maçante. Gostaria que alguém resumisse o que acontece nesse livro, porque para mim não aconteceu NADA. Se não fosse o finalzinho, com os vampiros de Seatlle, o livro passaria todinho em branco, sem emoção alguma. Acho que demorei mais para ler esse livro do que para ler os outros três. Única e exclusiva exceção para o diálogo cheio de farpas entre Edward e Jacob, quando a Bella está dormindo, antes da invasão dos recém-criados. E só.
Amanhecer:
Fiquei muito na expectativa desse último livro, pois a maioria das pessoas me disse que era o melhor. Sinceramente, não concordo. Os três primeiro capítulos é água com açúcar pura e as descrições que são feitas do Brasil mostram o que os americanos acham de nós, que somos indígenas e que vivemos em tribos.
Bom, depois as coisas começam a ficar mais interessantes com o nascimento da Renesmee, e tudo o que envolveu como o fofo Imprinted, e com a iminente invasão dos Volturi. Porém, toda aquela preparação chega a cansar, fica-se muito tempo preparando, aguardando, esperando. Por outro lado, a chegada das testemunhas é bem bacana, mostrando um, pouca é verdade, variedade de vampiros do mundo. Destaque também para brincadeirinha Jacob Wolfe! Ri sozinha.
Como já disse anteriormente, o fim deixou MUITO a desejar, muito mesmo. Conclusão fraca e pouquíssimo amarrada, dando claramente a entender que ela pretende sim escrever outros livros. Agora, obviamente, ela vai dizer que não irá escrever e tal. Mas, guardem minhas palavras, vem mais por aí. É fato!
Postado: July 15th, 2010 em Literatura Internacional
por Érika dos Anjos.
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Comentários: 3
Comentários
Trackback de RetrOvisOrio
Time 21/07/2010 at 17:31
Homens Que gostam de Crepusculo?…
Muito interessante! Abraços……
Pingback de O Quarto Elemento » Os melhores de 2010
Time 07/01/2011 at 11:59
[...] Eclipse (Stephenie Meyer – terceiro da saga Crepúsculo) Veja a resenha aqui [...]





Comment de Aline
Time 16/07/2010 at 10:56
Bom Kiki, para uma pessoa letrada como vc, com bagagem e adulta tanto na idade qto na cabeça, pode sim depreciar os livros o quanto quiser… O fato é que por causa dessa saga, milhões de meninas principalmente, no mundo inteiro, adquiriram o hábito da leitura; tendo como exemplo familiar, sua prima Brenda. Acho que não vale a pena rotular, dizer que os livros são chatos, maçantes, “o porre” que seja. Se algum adolescente lesse sua resenha, ficaria desmotivado a ler… O que não acho legal… Enfim, li todos e adorei! Assisto aos filmes! E como todo livro de fantasia, o que vale é o “fugere urbem” (fuga da cidade, com menção à realidade) mesmo! Take care! ;***