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O que falta na seleção brasileira de 2010

Por Érika dos Anjos

Bom jogador, mas não empolga

Bom jogador, mas não é 'o cara' de que precisamos

Escrevo este post logo depois da vitória, com gostinho de derrota, do Brasil na estreia da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Colocarei em letras o que já penso há algum tempo: esta seleção não empolga, não tem carisma e vai ter que se reinventar para vencer. Mas, vamos por partes.

Não empolga porque foi mal convocada. No sentido de não ter jogadores interessantes, que possam ser o ‘tcham’ da seleção, que possam dar um sal maior ao caldo. O Kaká é um bom jogador? Sim, claro. Mas, não é aquele cara que possa ser definido como ‘o cara’, que chama a responsabilidade para si, que tenha culhão de aguentar uma saraivada de críticas e ainda dizer que vai resolver. Não é esse o perfil dele e nem de nenhum dos jogadores. E o Brasil precisa disso, de alguém que seja a referência, que possamos cobrar (mesmo que para a televisão, of course). Nos nossos títulos mundiais, tínhamos Didi, Newton Santos e Bellini, em 1958; na Copa seguinte já existia a liderança de Pelé, que mesmo sem ter jogado muito (o Garrincha carregou a equipe nas costas nesse ano) é um baita símbolo e inspiração; em 1970, o rei do futebol continuava em ação, apoiado em caras como Gérson, Rivellino e Jairzinho; já em 1994, havia o maior expoente desse tipo de jogador nos últimos anos, o baixinho Romário, o cara sabia puxar a responsabilidade para si como poucos; e, finalmente, em 2002, Cafu e Ronaldo faziam esse papel a contento. Em 2010, quem pode ser esse cara? O Lúcio? Not. Kaká? Nem pensar. Robinho? Um fofo mas não rola. Quem?

Esse sabia ser 'o cara', chamava a responsabilidade

Esse sabia ser 'o cara', chamava a responsabilidade

Quanto ao carisma, é inegável que esta é a pior seleção de todos os tempos, começando pelo técnico. Nunca vi ninguém tão pouco carismático como o Dunga e sua comissão técnica. Tratam os jornalistas como se fossem inimigos, quando, ao contrário, são esses caras que fazem grande parte da imagem deles para o público. Merecem, pelo menos, respeito. Quantos aos jogadores, Júlio César e Robinho são minhas esperanças de que haja um remelexo naquela equipe, porque no que depender dos outros, a situação será, no mínimo, sonolenta. Não venho nenhum desses caras fugindo da concentração ou armando um pagode (lembram em 2002 da música do Zeca Pagodinho e da história da Fátima Bernardes? Pelo menos era bacana). Vocês sabem qual é a diversão deles nas horas livres: BINGO! Tem coisa mais sem graça que isso? Me diz se conquista uma nação de 170 milhões de pessoas? Não, não e não. Prefiro a concentração da Argentina, onde o Maradona liberou o sexo, churrasco e vinho. Aposto que os jogadores, e a torcida, são muito mais felizes.

Agora, quanto ao futebol em si, só tenho uma coisa a falar: tomar suor da Coreia do Norte é bizarro, tosco e inaceitável! Se quiser vencer, tem que melhorar, tem que ter mais vontade e sangue na veia, parecem um monte de baratas em campo. Cadê a garra? Cadê a vontade? Cadê a gana de ser campeão do mundo? Deve ter ficado no feijão com que marcaram o bingo, só pode…
PS.: A parte mais emocionante Todo mundo fez nhóóóóó!do jogo foi o choro do Jong Tae Se durante o hino. Fofura mode on, né?
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Comentários

Pingback de O Quarto Elemento » Adiado o sonho do hexa…
Time 02/07/2010 at 17:14

[...] É aí que mora grande parte da questão. Na minha humilíssima opinião, como já havia dito aqui, o que faltou à seleção brasileira deste ano foi alguém que chamasse a responsabilidade para [...]

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