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O trem fantasma do ramal Japeri

Trem fantasmaQuando pensamos já ter visto de tudo, e que tudo de errado que poderia acontecer no sistema ferroviário aqui do Rio de Janeiro já aconteceu,  nos deparamos com cenas dignas de filmes Norte  Americanos classe D  que passam na Sessão da Tarde (meu favorito é o Carro desgovernado, mas isso é história para outro post). Ontem, 18 de janeiro, aparece a notícia que um trem, com cerca de 1.200 passageiros dentro, saiu andando sozinho.

Imaginem a cena:

o trem enguiça, o condutor desce para verificar, e fica lá, do lado de fora, vendo o trenzinho seguindo viagem feliz e faceiro.

O resultado desse incidente vai ser o seguinte. sindicato acusa empresa, que por sua vez, no máximo dirá que foi uma rebimbóca frouxa que provocou a pane que só aconteceu porque o condutor esqueceu de puxar o freio de mão. Bingo, em resumo o condutor vai acabar sendo o bucha da história (talvez seja, talvez não, como bom jornalista devo dizer que deve-se aguardar as ivestigações, mas acredito que isso jamais seja selucionado, já que cada um defenderá o seu).

A respeito da incrível cobertura jornalística do episódio deu para ver que os jornalistas pouco conhecem a geografia da Zona Norte da cidade, tampouco se deram ao trabalho de consultar o mapa de estações para saber que é impossível sair de Ricardo de Albuquerque, passar por Oswaldo Cruz e chegar a Deodoro, uma vez que Deodoro fica antes de Oswaldo Cruz, para quem segue no sentido Centro, como no caso em questão.

Outra pérola saiu na mesma  matéria, um paragráfo abaixo. Desta vez informando que o trem “parou entre Deodoro e Osvaldo Cruz”. Ignoraram a existência de Marechal Hermes e Bento Ribeiro (pois é moradores destes bairros, isso tudo faz um plano para riscar vocês do mapa). É a mesma coisa que dizer que o carro enguiçou entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina.

O trem  estava sem freio num declive e saiu andando. OK, mas então por que a necessidade de cortar a energia?Sem freio e ao mesmo tempo acelerado? A Empresa diz que é impossível o trem acelerar sozinho, mas quem vai saber. MAS É IGUALZINHO A ESTÓRIA DO FILME O CARRO DESGOVERNADO.

Vão aparecer váriadas explicações e possibilidades, eu em particular tenho duas das quais gosto muito:

Baixou um espirito bem tinhoso, do mal mesmo e resolveu aprontar, como no livro Cristine de Stephen King. Se bem que nesse caso não adiantaria cortar a energia.

Ou outra mais fofa que seria a locomotiva ter saído da Ilha de Sodor e perdido a memória. Acordou, não entendeu onde estava e saiu em disparada tentando se reuniar ao Thomas e seus amigos.

Não ficou claro se era um trem antigo ou novo. A TV mostrou um Coreano, mas os jornais fizeram as ilustrações com o antigo, assim como nas declarações dos passageiros nos jornais que informavam ser o modelo antigo.

Assumindo que tenha acontecido com o modelo coreano, porque será que entre  as cerca de 1.200 pessoas a bordo, nenhuma tenha tido a ideia de acionar o freio de emergência?

E não me venham com comentários do tipo “Tinha que ser o Japeri mesmo”.

Pode parecer piada, mas piada mesmo são as concessionárias de serviços públicos (trem, metrô, barcas, ônibus etc.) que fazem o que bem entendem, tudo isso com a condescêndencia dos órgãos públicos.

E se você acha que não da para piorar, sinto informar que para piorar sempre dá!

Trem lotado

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