Eu quero livros de papel
Lembro-me de ler no início dos anos
Voltemos aos livros. A internet é um lugar perfeito para encontrar títulos difíceis e muitas vezes de graça (também não vou entrar no mérito do direito autoral). Só que ler na tela é chato demais, muito cansativo e pouco prático. Imprimir é caro, gasta e acumula muito papel e continua não tendo cara de livro. Há quem goste disso, para a sorte destas pessoas.
No início deste ano a Sony lançou um aparelho que resolve os problemas da impressão e da leitura na tela. O Reader Digital Book permite ao usuário ler livros eletrônicos em qualquer lugar, possui tela de cristal liquido e pesa apenas 250grs. Já está disponível no mercado norte-americano e custa US$ 299,99. Maiores detalhes sobre o aparelho podem ser encontrados na página da Sony. O kindle da Amazon é outra opção de leitor de livros eletrônicos. Custa US$ 399 no site da empresa.
Novamente. Para quem gosta de novas tecnologias, e pode pagar, isso é um prato cheio. Para quem não pode, ou se recusa a pagar quase R$ 700 por um simples leitor de livros, é só esperar um pouco que em breve eles estarão baratos (quem não acredita que olhe para o exemplo do aparelho de DVD).
Não posso dizer que eu jamais compraria um deles, tampouco eu diria para alguém: não compre esse negócio. Eles são muito práticos. Imagine eu poder levar dezenas de livros nas viagens…
Tudo isso é muito legal, bonitinho, prático, leve, não ocupa espaço, não fica empoeirado etc. Mas eu pergunto: qual é a graça disso?
Não consigo me imaginar sem meus livros de papel. Em o cheiro de um livro novo recém comprado. A alegria do início da leitura, aquele mundo de páginas pelo qual você ainda vai atravessar. O prazer de chegar no último capítulo, na última página, na última palavra e finalmente jogar o marca páginas longe fechar e dar a ele um lugar na estante.
Imaginar que um dia pegarei esse exemplar na estante, sacudirei a poeira e oferecerei para meu filho, contando para ele de como foi bom ler aquela história muitos anos antes. Como aconteceu comigo ao receber o Menino do Dedo Verde das mãos de uma tia. Tomara que até lá ainda existam os livros de papel. Tomara que ele aprecie tanto a leitura quanto eu. E que os livros de papel ainda existam.
Postado: February 10th, 2008 em Cultura
por Leonardo Pereira Costa.
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Comentários: 3
Comentários
Comment de Maganic
Time 12/02/2008 at 17:01
Acho o ponto de vista muito radical…
Nem para mais e nem para menos, a pessoa pode ter paixão pelos livros sem deixar a praticidade de lado.
Porque não ter uma estante cheia de livros e sair com apenas 250 gramas de digamos 10 mil páginas?
Ateh!
Comment de Nelson
Time 18/02/2008 at 14:21
gostei do seu blog, concordo com o que vc disse. Ler livros pelo computador não tem graça!!
abraço e se puder comente no meu blog.





Comment de Kiki Black
Time 12/02/2008 at 12:27
Genial!!!! Tudo o que eu sempre pensei! O último parágrafo parece que sou eu quem está falando!
Do caralho! Espero que daqui a alguns anos, as pessoas ainda tenham a paixão pelos livros que, pelo menos nós dois, temos! Acredito que o mundo seria bem melhor assim.
“Há quem não possa imaginar o mundo sem água; há quem não possa imaginar o mundo sem pássaros; ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livro” – José Luis Borges